
| Histórico.: |
| Outros sites.: |
| Visitas.: |

| Layout e HTML by.: |
Há pouco recebi um telefonema do Hospital de Clinicas de Curitiba, o mesmo onde fiz toda minha formação
profissional, comunicando que estão iniciando os transplantes ósseos doados pela Genice. Agradeceram!
Genice, você continua viva, suas celulas ainda vivem e trazem alegria a seus semelhantes. Você é o meu
anjo, você nunca morrerá!
Obrigado amor, por ter me dado todos os anos de sua vida ao seu lado e tanta felicidade. Eu te amo.
Pesadelo interminável! Solidão física e emocional sem fim. Estou envolto em um labirinto do qual não consigo sair.
Fui uma árvore frondosa, folhas verdes e até frutos tive. Meu alimento era Genice. Ela me protegia contra tudo
com suas grandes asas e seu sorriso que me tranquilizava em momentos de terror. Hoje, sou a mesma árvore,
apenas que ressequida, como que em um deserto sem água ou sombra. Folhas não mais existem, apenas o tronco
seco e feio e quando, a muito custo, uma folhazinha verde tenta brotar, eis que vem alguem cuidadosamente, a tira,
joga ao chão e me deixa prisioneiro novamente em minha solidão e aridez. Onde já se viu ter folhas novamente?

Genice, mulher que me escolheu para viver consigo sua curta vida. Menos de uma hora após o nascimento
de nosso primeiro filho, Raphael, no Hospital São Lucas, em Curitiba. Linda mulher, nem a noite insone em
trabalho de parto, nem as dores terríveis conseguiram tirar o brilho de seu olhar, a beleza de seu rosto.
Essa mulher eu amo e sempre vou amar. Foi perfeita, amante, mãe e amiga. É e sempre será a mulher de
minha vida, aquela que me guiou e me ensinou a amar e a ser quem sou. Genice, minha querida, saudades
de você sinto agora, neste instante, saudades intensas, sinto o coração pequenino, meu peito está oprimido,
apertado, sufocado. Sinto a cada dia, mais e mais a sua ausencia. Nunca imaginei que poderia suportar tanta
solidão e angustia. Nem em meus piores pesadelos poderia imaginar algo tão horrendo como viver sem você.
Estou sozinho em casa e pior, vou continuar sozinho em casa. Apenas eu e minha dor.

Genice com Luana, amiga de infancia da Raphaele. Feliz. Sorriso largo na face. Coração aberto.
Minha força, minha luz, minha rainha... saudades de você!








Essas palavras escritas a tanto tempo atrás dizem tudo, nelas eu sonhei uma vida feliz e a tivemos, assim
mesmo, todos dias juntos, todos momentos um vivendo pelo outro. Ao contrario dos outros casamentos,
praticamente todos outros, o nosso, a cada dia, em um interminável crescendo, nós nos descobríamos e
o amor sempre era maior que no dia anterior. Vivemos todos esses mais de trinta anos em lua de mel,
ainda ficavamos madrugadas adentro nos amando, ouvindo música, conversando. Eu a alimentava e ela
a mim, mas mesmo assim, nossa fome sempre foi insaciável.




Tanto quisemos envelhecer juntos e não pudemos, mesmo assim, todos dias com Genice foram perfeitos e
ela me deu sua alma, seu corpo, sua vida e sou eternamente grato. Sempre a amarei e sei, que em meu leito de
morte, meu ultimo pensamento será nela.



Nosso amor sempre foi suave, cálido, terno. Genice já assinava o meu sobrenome, Fraiz. Desejo incontido
de ser minha.
Sete horas da noite. Dia terrível. Solidão e abandono.
Amor, nem todo o ouro do mundo, nem todas as riquezas que existem podem pagar a dádiva que tivemos em
vida - crescer juntos! Eu te conheci com dezessete anos, um garoto timido, recém aprovado no vestibular,
virgem e sem nunca ter tido uma namorada sequer. Você uma linda menina ainda faltando um mês para fazer
quinze anos, meiga, suave. Desde que nos vimos pela primeira vez, nem você e nem eu ficamos um dia
sem pensar um no outro e assim crescemos lentamente, minhas angustias apoiadas em seus ombros e as
suas em mim. Tanto choramos e tanto rimos. Nossos corpos se transformaram. Quando você me viu pela
primeira vez nem pelos eu tinha no corpo, anos depois me chamava de seu macaquinho. Seus seios eram
pequenos, quadril estreito e de repente tive em minhas mãos uma mulher completa. Crescemos juntos, amor,
mas Deus não permitiu nosso maior desejo - envelhecer juntos.
Fique sozinho, seu medo maior se realizou. Talvez você não esteja infeliz pois onde está o tempo não é como
aqui e em segundos, na sua concepção, estarei novamente ao seu lado.
Genice, amor eterno, hoje faz um ano e nove meses que você saiu desta casa, caminhando e assustada,
para nunca mais voltar. Amor querido, meu sofrimento é imenso, mas não deve ser maior que o seu por
não estar mais aqui com seus amores. Deus esteja contigo e te console, meu anjo. Eu, infelizmente, apenas
sofro e choro a sua falta.

Boné verde de calouro de medicina da UFPr, gravatinha também. Peito estufado de orgulho.
Esse menino magro, ainda meio que imberbe, acabara de conhecer a Genice, estava apaixonado e não
sabia ainda, mas suas vidas estavam definitivamente entrelaçadas e seu futuro seria tão feliz e apaixonado
que daria um belo romance.
Genice conheceu esse menino e o viu ficar mais ( como dizia vovó Virginia) fornido, aos seus olhos e
aqui vai uma confidência, aos seus olhos cheios de malicia e seduçao, o viu se transformar em um homem
que deu sua vida para satisfazer seus mais intimos e ocultos desejos, além dos mais mundanos.

Foto que já publiquei. Eu mesmo a tirei. Genice no dia em que a conheci. Menina morena e linda de longas
tranças, cabelos grossos ( sempre usei como fio dental, em emergencias, naturalmente). Olhos brilhantes e
risonhos - sempre conseguiu rir com os olhos - lábios que, desde o primeiro beijo, sabiam beijar e por eles
sempre me deu sua alma em fugazes instantes em que nós nos fundiamos em corpo e espirito.
Meus olhos viram essa menina linda se transformar em uma linda e poderosa mulher, mãe de meus filhos,
dona de meu coração. Rainha eterna.
Genice de minha vida, mais um domingo sem você! Domingo de sol ardente, céu de anil, nuvens brancas
e espessas, daquelas mesmo que nós, em viagens, visualizávamos elefantes, girafas, cachorrinhos e até,
uma vez, nós nos beijando. Você se foi e tudo continua igual, nada muda, apenas sua ausencia fez com
que meu mundo se transformasse para sempre.
Como pode ter existido alguem como você!? Tão perfeita, alma e espirito superiores em um corpo divino,
uma beleza rara que se completava com sua voz maravilhosa, risada alta que até os passarinhos se
calavam para ouvir.
Meu anjo, hoje falei em voz alta seu nome, depois disse - Geê - como se estivesse te chamando e tive
a sensação que nada disto realmente aconteceu e você logo iria responder.
Querida, nossa casa está um caos, tudo demolido, entulhos em todo quintal. Em homenagem a você, era seu
sonho, vou fazer tudo novo e lindo sabendo que sua presença está aqui comigo.
Nossos filhos, sempre bons filhos, carinhosos, cada um ao seu jeito. Apaixonados por você.
Nosso netinho crescendo - será que você o conheceria se o visse hoje? Continua a lembrar da vovó e lembra
muito a você em seu genio e empatia. É amado por todos e onde vai irradia luz e alegria. Inteligencia rara,
certamente muito mais que a nossa.
Genice, meu anjo. O que faço com todas estas horas ociosas de um domingo tão lindo sem você comigo?
Meu amor, onde estiver, receba meus beijos, meu amor e minha eterna paixão.
Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo!

Em Jundiaí, na praça, dia maravilhoso em que beijei seu rosto dezenas de vezes e te amei intensamente.

2008. Seis meses antes da despedida final. Sua formatura em pedagogia. Feliz e linda.
Hoje cedo, eu e a Raphaele fomos ver o jardim no jazigo da Genice. Estavam lá funcionarios da prefeitura
fazendo a calçada, pedi a um deles que tomasse cuidado com as flores e tivesse um cuidado especial no
acabamento e completei dizendo que trabalhassem com carinho ao lado da Genice pois, quando eu tivesse
oportunidade, retribuiria a eles ou a qualquer um de sua familia.
E então, um deles, o que estava mais proximo, disse-me - " olha doutor, não precisa não, eu estou fazendo
com amor porque quando, há uns anos atras, eu estava doente, a sua esposa, a dona Genice, colocou suas
mãos em minha cabeça, orou a Deus pela minha melhora e eu curei, nunca esqueci.
Faço caprichado hoje, por amor a ela e porque era uma mulher santa"
Eu e a Raphaele ficamos felizes e saímos de lá conhecendo mais essa passagem da vida da Genice
que não conhecíamos, apesar que era típico dela orar e cuidar dos mais humildes e não dizer a ninguem.
Genice, minha querida, creio que você, no Paraíso, ao lado dos que nos deixaram , está feliz,
sua memória jamais será esquecida, seus pequenos atos em vida tornaram-se significativos após sua morte.
Seu espírito preparava-se para o encontro com Deus.
Você, meu anjo, agora livre das maldades e maledicências - estou sufocado nelas - me espere pois estarei, cedo
ou tarde, ao seu lado e então vamos rir juntos e seremos para sempre felizes, como fomos até sua despedida.

Não deu certo! Lua de Mel em Gramados e sem dinheiro ficamos em uma pousada, para mostrar aos parentes,
fomos em frente ao melhor Hotel da cidade para tirar essa foto com o hotel ao fundo, como se estivemos
hospedados ali. Ficou tão ruim a foto, não lembro quem tirou, que nem dá para ver, ao fundo o Hotel.
Bom, uma mentira a menos para prestar contas a Deus.

Lua de Mel, em Porto Alegre, ela estava se maquiando para irmos a uma churrascaria e depois fomos
assistir ao filme O Dia do Gafanhoto, dormimos durante o tempo todo.

Meu amor, meu anjo, minha vida, pedaço de mim que me foi arrancado. Saudades

A segunda foto foi em Porto Alegre, nossa lua de mel. Lendo Harold Robins...
E o tempo vai passando!
Amor, sem você aqui tudo está muito dificil - fiquei à sanha das pessoas más. O que fazer!?
Nossa casa está tão diferente que se você visse hoje iria estranhar bastante. Enfim, a reforma tão adiada por
nós, começou. Não que eu quisesse, mas porque adiar novamente estava colocando a nós em risco, as
rachaduras aumentaram tanto que toda a cozinha e garagem terão que ser demolidos. Fico angustiado, pois
devagarinho, suas coisas vão desaparecendo. Amanhã iniciará a demolição de sua cozinha, onde você fez
maravilhas e onde tantas vezes te beijei, por tras, enquanto cozinhava.
Era seu sonho, seria alegria. Sem você é só tristeza, mais lembranças suas que se vão.
Querida, cuide de mim, me proteja das más pessoas, proteja nossos filhos e nosso netinho.
Eu te amo, eternamente... sempre.

Tinha contigo apenas mais cinco meses...
Publicado hoje em jornal de Ponta Grossa.


Nossa lua de mel. Gramado. Começo de minha vida. Tudo o que aconteceu antes foi apenas a preparação para
viver o restante de meus dias ao lado dessa mulher maravilhosa, que além de um amor imenso, me deu filhos e
neto. Ninguem foi tão feliz quanto nós! Nosso amor é perfeito e eterno. Eu te amo, querida... olhe por mim!

Eu, nos plantões no Pronto Socorro Municipal, hoje PS Cajuru, fugia e ia para o quarto dos mais antigos só
para escrever longas cartas à Genice, contava tudo em detalhes, em minúcias. Era como um desabafo. Sentia
ela ao meu lado e escrevia como se estivesse conversando com ela.
Uma semana longe era insuportável e durante toda nossa vida foi assim. Casamos em abril de 1976 e até sua
ida não ficamos, somando todos as ausencias, mais de 60 dias longe um do outro.

Quando escrevo... " meus pais não compreenderiam..." é que, na epoca, o dinheiro era muito escasso e a conta
de telefone tinha que ser bem pequena, tudo que gastava ali tinha que ser tirado de outras despesas. Eu ligava
para a Genice uma ou duas vezes ao mes e assim mesmo, com o relogio na minha frente controlando o tempo.
Foi ruim? Não. Foi bom. Aprendemos a real dimensão de nosso amor, o sofrimento da saudade foi a argamassa
que fez o alicerce de nossa vida juntos ser inquebrável. Nunca brigamos à toa pois sabíamos que, para estamos
juntos, muitas lágrimas tinham sido derramadas. Às vezes, eu, sempre eu, a cutucava e ela, com os olhos
lacrimejantes me falava... Fer, não me faça chorar que já chorei tanto por você!

No P.S. só tinha salário que era efetivado e, nessa época estava na espectativa. Creio que logo depois comecei
a receber pelos plantões.

Assim eram meus dias, meus plantões na emergencia. Genice presente o tempo todo. Eu vivia por e para ela.
Essa garota me deu sua vida e com ela os maiores prazeres que um homem pode ter, mas levou consigo meu
sorriso e minha alegria, vivo cada minuto em função de minha saudade e na esperança de reencontrá-la na
eternidade.




Vivi um conto de fadas. Tudo aconteceu exatamente como escrevi nessa carta. Ela na cozinha, eu chegava
e a abraçava por trás. Enterrava meu rosto em seus cabelos, mordiscava sua nuca, minha mão a atormentava
e só ouvia seu riso alto, e então, invariavelmente, em um movimento gracioso trazia seus labios ao encontro
dos meus e sua comida ficava mais saborosa então. Tempero perfeito... felicidade.

Isso está acontecendo comigo hoje. Antes eu era desejado, o mais importante, o centro de tudo. Hoje me sinto
invisível e minha importancia está apenas em ser médico. Perdi meu amor. Perdi quem me amava. Nada tenho mais
a esperar desta vida.


Nada a dizer. Nada a escrever. Apenas minha dor e as lagrimas que escorrem pelo meu rosto.











